A captação de água no Piraí

 

 

 

O prefeito de Salto, Juvenil Cirelli (PT), deu uma notícia ao mesmo tempo assustadora e surpreendente em entrevista coletiva para a imprensa, no que se refere à captação de água no ribeirão Piraí, o principal manancial de abastecimento de água potável dos moradores locais: ele disse que a cidade terá de retirar menos água e que ainda terá de pagar para fazer isto no futuro.

A má notícia se deve ao fato de que a represa, que está projetada para ser erguida em área de Salto com o fim de beneficiar também Itu e melhorar o abastecimento de Indaiatuba, terá a execução a cargo de uma PPP, que significa parceria público-privada, o que pressupõe que esta empresa venha a cobrar pela retirada de água das três cidades quando a obra estiver concluída e em funcionamento.

A retirada menor será resultado da divisão do abastecimento também com Itu, que hoje não capta água no Piraí, já que o manancial não teve a sua capacidade de fornecimento de água aumentada em função da obra em si. Ela, a obra, na verdade, vem apenas para garantir que o leito do ribeirão não fique tão baixo na área de captação por ocasião da época de seca, como já ocorreu no passado.

Esta notícia requer uma atenção redobrada dos vereadores e das autoridades encarregadas de fiscalizar as ações do Executivo, afinal não se pode fazer um contrato desse tipo, pois ele não beneficia o município em nada. Pelo contrário, retira as condições atuais e ainda vai utilizar uma área de fazendas de Salto, que hoje tem outra finalidade e só se justificaria se fosse para benefício de Salto.

O acordo para a construção da barragem vem sendo negociado desde a gestão do ex-prefeito Geraldo Garcia (PP) e nunca se falou que o que ocorreria era a diminuição da possibilidade de retirada de água e tampouco que o município teria de pagar por essa retirada. Esse entendimento precisa ser esclarecido com urgência, antes que as medidas para a sua efetivação sejam tomadas de forma definitiva.

Fala-se que Salto terá a obra para levar a água da represa criada pela barragem até a ETA do Bela Vista totalmente custeada pela empresa que assumirá a PPP, mas isto é pouco diante do prejuízo que se afigura com a redução da captação e o pagamento por ela. Mesmo porque Salto ainda não tem outro manancial com o mesmo potencial para utilizar como substituto ou como complemento.

É preciso atenção, senhores.

 

 

Escrito por Eloy de Oliveira às 07h49 [ ] [ envie esta mensagem ] []